Uma sexta-feira com muito mais história que descontos

Estamos em pleno novembro, os dias cada vez mais curtos, o frio abraça-nos cada vez mais, e inevitavelmente começamos a pensar na época Natalícia – nas luzes, no convívio, nos presentes…

Todos gostamos de receber presentes, sejamos mais materialistas ou não. Contudo, fica a pergunta – com semanas tão corridas, com o ano a voar, onde arranjamos tempo para escolher as tão desejadas prendas? A verdade é que, paulatinamente, começa a estar religiosamente bem presente no nosso dia-a-dia a chamada Black Friday. Quem já não viu um vídeo nos media de multidões que se atropelam em lojas à procura daquele artigo com uma promoção imperdível? Não é por acaso que é chamado de feriado Mundial do capitalismo consumista…

Mas de onde surgiu este nome? Os primeiros registos do uso da expressão remetem para o dia 24 de setembro de 1869, data da crise financeira nos EUA desencadeada pelos especuladores de Wall Street Jay Gould e James Fisk. Estes quiseram lucrar ao máximo com o preço de compra/venda do ouro, culminando num colapso dos mercados financeiros. 

Historicamente, a cor preta/negra tem sido associada a doenças (ex. peste negra), a dias de crise económica (ex. terça-feira negra que marcou o início da Grande Depressão). Contudo, a verdade é que no que toca a lucro temos a dualidade vermelho/preto – existem temporadas com prejuízo (“no vermelho”), mas depois picos com lucro (“entrada no preto”).

Existem de facto 2 histórias para explicar o começo do seu uso, mas primeiro é importante referir que nos dias de hoje, a Black Friday é popularmente usada para se referir à sexta-feira seguinte ao Dia de Ação de Graças (que é sempre a quarta quinta-feira de novembro) e é, por regra, considerado o primeiro dia para se iniciar a temporada de compras natalícias.

A primeira remete para a década de 50, na qual os gerentes de fábrica começaram a designar a sexta-feira após o Dia de Ação de Graças como Black Friday porque muitos de seus trabalhadores decidiam falsamente dizer que estavam doentes, podendo assim desfrutar de um fim de semana prolongado. 

A segunda história conta-nos que a polícia de Filadélfia usava o termo Black Friday  para descrever o caos que se criava com hordas de compradores e turistas a inundar a cidade antes do jogo de futebol americano Exército-Marinha, anualmente. Estes não poderiam tirar o dia de folga e fazer turnos extra para controlar as multidões, o tráfego e os crimes pequenos. 

Existem mitos associados à Black Friday, o mais popular alega que no início do século XIX os proprietários de plantações do sul nos EUA compravam escravos com desconto no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças. Não existem dados que sustentem esta versão mas tal tem sido usado como tentativa de boicote ao mesmo nos dias de hoje. 

Muitas histórias sobre a Black Friday têm sido contadas, mas o facto é que muitas das suas faces mais sombrias estão diluídas no tempo. Desde então, o dia tem sofrido uma metamorfose – o que era originalmente um dia passou para quatro dias, findando na tão popular cyber monday.

Fontes:

https://www.history.com/news/black-friday-thanksgiving-origins-history (consultado em 20/11/2022)

https://www.huffpost.com/entry/black-friday-history-why-is-it-called-black-friday_l_5d951322e4b02911e1154386 (consultado em 20/11/2022)https://www.britannica.com/story/why-is-it-called-black-friday (consultado em 20/11/2022)

Autoria: António Lopez