Ao beber do Létes por um copo

Quando morrer, quero ser esquecido.

Tenho enorme receio da memória. 

Ser relembrado como falha história,

Fársico ator escravo ao seu sentido.

Quando morrer, quero que a minha carne

Seja consumida por vermes porcos

No opulento festim dos meus dois olhos,

E que dos ossos façam seu andaime,

Para a construção vil da minha ruína. 

Quero viver, e quero falecer—

Esquecido. Habitar enquanto ser

O vazio desconhecido, e a chacina

Indecente do meu crânio. Comigo,

Eu. Viver morrendo, e ser esquecido.

Autoria: Tiago de Sousa