De todas as artes do mundo,
escolho a de ter saudades
daquilo que não vivi.
Olhar para o céu azul.
Para as nuvens nele penduradas
e ver pintar-se um quadro
com tintas de cores diversas
e pincéis de negros pelos,
diante dos meus olhos.
Fecho-os e imagino…
Imagino o que podia ter sido
se tivesse feito doutra maneira,
se tivesse pensado doutra maneira,
se tivesse agido doutra maneira.
E vejo…
Vejo dançar as formas
desse passado que já não vem,
nem veio.
E dou por ele a apontar-me
o caminho a construir.
A dar-me as ferramentas que preciso,
e a força ímpar
que só a esperança pode dar.
Porque esse passado que não veio,
é apenas,
o futuro que está por chegar.
E creio!
Acredito com afinco!
Numa prece sem fim.
E numa tela real
com um pincel de decoro profundo
afirmo ser aos sonhos
– E só aos sonhos – leal!
E pinto!
Com pulso e mente forte,
todas as artes do mundo!
Autoria: Francisco Ganço

