Se vem no tempo das magnólias
Ou do tempo da Rosa dos bolos
Se é de dar o pasmo aos cientes
Ou de dar o descanso aos tolos,
Se é dos aborrecidos ou dos videntes
Para os vistos ou para os aborrecentes,
Por causa de ver ou causa de emburrecer
Se é, é copo de agonia e rum,
A maneira de se parecer, acaso ser
um golinho do que alguém pede para beber.
Se é coisa para as meninas dos olhos
Ou das viciadas meninas dos meus
Dos mestres mundos das escolas
Dos discípulos porcos das esmolas
Ou uma gracinha de deus.
Arte que és, que és?
És sete? És setenta vezes sete?
Ou, arte, tu deves ser alguém.
César, a mulher de César ou ninguém.
Se e se ou se és ou se não és
A otite que evolui para a cura
O terceiro turno da fartura ou da procura
A pensão da agricultura ou da licenciatura,
Ou se a arte és tu, chegante e sobrante literatura.
Os braços de Morfeu, a mocidade de Romeu, a passarola de Bartolomeu.
Arte, tu és, teimo eu, o terceiro número da Orpheu.
O burlesco e o vernáculo
O desembargo e o obstáculo
Diz. Com licença como por sentença,
Diz. Para que me convença, tu diz,
Qual é a forma galénica do espetáculo
Ou se, pelo contrário, procuro administrar-me uma doença.
Autoria: Lopes Matos

