Pelo amor e a revolução

Não existem romances cultivados

Para além da decadência. A flor branca,

No primor da sua luz, furtada à dança 

Dos sentidos no alvor da primavera.

Não existem poesias consumadas

Num terreno além da dor. Só a doença 

De quem sente, no inverno da esperança, 

Uma ferida que sangra ainda aberta.

Não existe vida, nem mesmo existe

Morte, sem a queda de anjos até

Aos abismos subtis do Paraíso…

Apenas a mentira… Só o desgosto…

De quem habita o mundo a contragosto, 

Por não saber chorar quando é preciso…

Autoria: Tiago de Sousa