Não tenho amizade às palavras,
Somente às ideias.
Porque nunca nada é concreto,
Tudo é apenas potencial
Para ser mais alguma coisa.
Não que isso sirva de razão
Para as coisas ambicionarem
Ser menos do que são.
Serão?
Não tenho a pretensão
De achar que tenho um passo ritmado,
Uma mensagem nobre
Ou uma forma de ficar agarrada ao pensamento.
Mas tal como um poema,
Sou uma ideia.
Má, boa, uma ideia.
Já fui menos do que isso,
Um dia serei uma ideia diferente,
No último instante não serei nada.
É tão fácil ficar por aí,
E é tão difícil arranjar as palavras exatas
Para a concretização do ideal,
Ignorar o sonho,
Tornar à vida real.
É tão difícil escrever e não ser tão pessoal.
Autoria: Filipa Dias

