Levem-me, vozes, ao céu

Levem-me, vozes, ao céu.

E curem esta alma morta e alada.

Num cântico de sombra, teu.

Um cântico de voz cheia de nada.

Levem-me, vozes, ao céu.

E curem esta alma morta e alada.

Curem um amor morto, sofrido.

Um corpo duro e dorido.

A sua carne queimada.

Levem-me, vozes, ao céu.

E curem esta alma morta e alada.

Venham abutres do breu,

comam a carne finada.

Levem-me, vozes, para onde,

na alma se sinta nada.

Autoria: Francisco Ganço