Julga-me, talvez por ser calada como ele, a ausência do som, também eu a tenho. Gosto de usá-lo, de guardá-lo para mim. Depois quando necessário ofereço aos outros, tirando-lhes os meus ouvidos da mira. Fecho os olhos e ouço com atenção o absoluto nada, o som que não tem som, a voz do ar, a melodia do vazio, o chilrear da minha mente. Já não estou mais aqui, o silêncio já me levou com ele.
Que fará ele comigo? Só sei que está aborrecido, porque também eu sou como ele, e como ele não é ninguém. Pousa-me sobre um pensamento frio, aproxima-se da minha face e abre os mirantes imaginários, colando as íris voláteis na minha alma leve.
Olha-me o Silêncio, fita-me a esperança, colhe-se uma emoção pálida.
Autoria: Augusta Parsotam

