Pintei o cabelo de rosa e a primeira coisa que quis fazer era contar-te. Tenho óculos em forma de coração com os quais irias gozar, e eu quero imenso mostrar-tos. Tenho flores no quarto, lingerie nova e até cicatrizes novas. Como aquelas que gostavas de beijar, sabes? Até inaugurei um novo riso, mas tu não sabes disso. Bizarro.
Ainda adormeço como uma estrela. Ainda tomo banho com água a ferver e ainda ouço música todos os dias. Continuo a não gostar de fazer a cama e a odiar o sabor de côco. Ainda não aprendi a conduzir. Mas tu não sabes disso. Bizarro.
Deito-me à noite e penso como tenho tanto para te contar. Novidades ou Todos os dias, a minha mente está em amena cavaqueira contigo. Ou pelo menos acha que está. Porque eu já não consigo ouvir a tua adorada voz. Ou imaginar os teus olhos meigos. Já não consigo sentir o teu toque, o teu carinho. Mas tu não sabes disso. Bizarro.
E pergunto-me porquê. Porque é que eu quero conversar com um estranho? Porque é que eu quero dançar e ouvir músicas absurdas, fazer rir, beijar, amar alguém que não conheço?
Podemos viver debaixo do mesmo céu mas vivemos num pretérito imperfeito (já que negas o perfeito). Se teimas em não querer saber do presente, porque quero eu que saibas do futuro? Bizarro.
Autoria: Ana Margarida Fonseca

