Estamos fartas de saber tudo o que é que uma mulher não pode ser, como ela não se deve comportar, o que não é suposto ela fazer. Estamos habituadas a seguir regras que nos foram impostas. Desta vez, reflitamos sobre o verdadeiro significado de ser mulher.
É certo que não cabem nesta definição reducionismos sociais, biológicos ou psicológicos. Importa ficar claro que ser mulher também é ser trans, ser queer, ser mãe ou “ficar para tia”.
No dicionário, existem muitas associações a outras palavras, formando expressões com valor depreciativo, símbolos da intemporal exploração do corpo feminino. Parece que ser mulher é um adjetivo que pode estar no diminutivo.
Desenganem-se. Ser mulher é um nome próprio – é ser Frida, Curie, Marsha ou Valentina. Quando relembro estas e outras que lutaram a várias vozes contra a opressão da mulher na sociedade, começando uma luta que ainda não está terminada, concluo que ser mulher também é, afinal, um nome coletivo.
Ao sentir em mim as nossas feridas e as nossas marcas de guerra, sinto que eu caibo nesta palavra. O espelho ajuda a refletir-me. Talvez não seja importante definirmos o que é isto de ser mulher. Mas não descansemos até cada uma de nós encontrar esta sensação de poder definir-se a si própria.

