Reza a lenda que, aquando do nosso nascimento, os Deuses amarraram um fio vermelho invisível nos tornozelos da pessoa que está predestinada a ser a nossa “alma gémea”.
Cada vez mais, tenho certeza de que os Deuses são sádicos. E ao contrário do que possas pensar, não, não é essa a razão. Não, eu não acho que não tenho pessoa destinada. Não, eu não acho que Eles se enganaram na pessoa. Mas se me for permitida uma questão, uma pequena indignação: Porquê amarrar este fio ao meu pescoço?
Quantas vezes já fiquei eu sem ar? Quantas vezes me agarrei ao pescoço, dispneica? Este fio enforca-me. Um impulso deste meu amor, em correr na direcção oposta da minha, e sufoco. Quanto mais puxa, mais sinto as minhas carótidas a serem dilaceradas, e o sangue dá mais cor ao fio já tão vivo.
Será este o meu destino, sobreviver a um suicídio imposto pelo divino?
E a ti? O teu fio é bênção, maldição ou apenas uma lição?
Autoria: Ana Margarida Fonseca

