Eu quero sentir.
Quero conectar-me.
Prostrar-me na relva húmida
E ligar a minha ficha à tomada do mundo.
Quero sentir.
Correr sobre os mares infinitos
Numa chuva matinal
E ver o sol raiar por entre a espuma das ondas.
Quero ser.
Repousar a polpa dos meus ingénuos dedos
Sobre a tepidez da tua ternurenta face.
E com a epiderme, pensar mundos a teu lado.
Quero estar.
Neste mundo de vicissitude
Dar primazia à plenitude que seria ter-te do meu lado.
E ao teu lado ficar.
Fitando num espanto o brilho que de ti emana
E que contrasta com a névoa que recai sobre as almas que te rodeiam.
Quero amar-te.
Musa da minha pena, que com o decoro de Atena
Decoras os recantos do meu coração com florzinhas e cascatas.
Nesta férvida vontade de destruir as nossas vidas pacatas
Em prol de uma maré de sonhos contigo.
Quero ser-te.
Pois só em ti eu sou e contigo estou.
Neste rompante sentido que é não ser se tu não estiveres no horizonte dos meus olhos.
Nesses labirínticos raios de paixão que me ofuscam o pensamento
E me esfalfam a existência, se ela sem ti for.
Quero sempre.
Neste nunca que em nada me trará felicidade,
Por saber-te longe desta minha saudade
Daquilo que não vivi.
Connosco quero ficar,
Na encosta do sonho,
Lá p’ras terras da ilusão
Onde o sono é eterno e a mágoa não.
Numa caixa de pinho, agarrando a tua mão
E sussurrando um beijo.
Tímido, em segredo, amando-te eternamente
Nas vielas da paixão.
E lá, nas planícies de nuvens
Esboçar um ténue sorriso,
Para só tu veres.
Pois tudo é por ti e só para ti.
Porque tudo se resume a ti.
Quero-te.

