Acordei e vi o sol lá fora; como chama de fogo que é, e pela minha incoerência do sono, olhou-me, olhando-o eu também, queimou-me a pele e cumprimentou-me a alma.
Como seria viver numa daquelas terras cujas nuvens e a água, o frio e o húmido, são o sol do meu país solarengo? Naquelas terras do norte, os escandinavos, outrora os vikings, parte da Rússia, o Alaska e sabe-se lá mais quem; todos os que vivem no frio porque vivem no frio. Acordar e receber a brisa do frio congelante de uma paisagem coberta de branco. Oh gente, maravilho a vossa coragem. Eu, como os lagartos que são dependentes do sol para aquecer o sangue, também sou um escravo da bola de fogo omnipotente. Como podem os outros sorrir no frio? Pergunto-o porque é frio e não é quente. E esta é a minha explicação; basta ser frio. À gente acobardada pelo calor divino: mais do que dependentes de vocês mesmos, estão dependentes dos raios de luz invisível.
Portugal solarengo, por seres solarengo e também Portugal, estou cá.
Autoria: Bernardo Rodrigues

