Se tu visses no meu adeus
o que viste no meu até já
arranjarias apartamento
acima do meu
para me puderes ver voltar
mas eu não quero voltar
quero estar
e ver-me-ias a queimar
com o prazer de quem ateia o lenho pacato
mas eu não quero arder
quero viver
Se eu visse no teu desprezo
o que via na tua revolta
entregaria mensagem
com o meu olhar lá dentro
para que pudesses errar
mas tu não queres errar
queres vencer
e ver-te-ia a conversar
com o prazer de quem escuta a melodia surda
mas tu não queres conversar
queres falar
Se eles vissem no nosso adeus
o que viram no nosso olá
tocariam rádio
com volume no máximo
mas nós não queremos falar
queremos ver
e ver-nos-iam acabar
com o prazer de quem finda o nada existencial
mas nós não queremos existir
queremos inexistir
Nós somos o pôr-do-sol
o final do dia
o início da noite
acabamos antes de começar
numa memória alegre
e inexistente

