O que seria eu, por ti
Um esforço, uma caminhada.
Um projecto para sempre inacabado
Que a cada degrau da tua expectativa
Se desvanece; e aumenta-se a escada.
O que seria eu, em ti
Um espectro mágico
Tesouro inesperado, ouro na lama
O que querias mas não pediste
Assim me esforcei, e tu sentiste.
O que seria eu, sem ti
O caminho interminável
Corrido, nunca caminhado
Preenchido, sufocado
Senão por projectos, por pensamentos.
O que sou eu, para mim.
O peso do oceano
O negrume do nada
A busca de significados
Em todos os lugares errados.
Se será a chama a queimar-me
Ou o corrente a arrastar-me
Ainda não sei qual me quebrará primeiro
Então só peço que sejas, para mim
As mãos que apanharão os cacos.

