Há desastres que são vividos por
Dentro. O corpo que se desloca em frente
No simples impulso do vento, sente
Na sua disforia um profundo horror.
É portanto a noção de me tornar
Consciente, lúcido enquanto mendigo
De mim mesmo, num âmago sofrido
Pelas ruas exaustas do pensar.
Depois, quando me sossego no quarto
As vozes alucinantes — de um córtex
Que, sinceramente, já nem suporto—
Julgo que reencontro parte de mim.
Perdido no abismo negro do vórtex
Que sou, esperando a luz, até ao fim.
Autoria: Tiago de Sousa

