Paz Interior

Só fico a pensar em ti, em ti, musa dos meus sonhos, que não vens e não vens. Porque esperas tanto, quase te toco, e me toco, e todas as coisas parecem-me a expressão de um mundo falso. Ludibriado, cansado, rastejante na vida e, agora, agora que me dou conta da tua existência, e nunca vieste. Como um filho bastardo que descobre que é bastardo, e o seu pai morreu na guerra, também tu te apresentaste a mim e nunca te deste a conhecer. Ando por aí, quem sabe, a procurar por ti. Os Homens, porque são Homens, procuram-te e eu procuro-te, mas eu, musa das terras verdes, do sol e do espaço, já senti a leve brisa de ti. Mas fiquei à espera, e a brisa foi a brisa e nunca mais voltou, nem encarnou na mesma carne que eu.

Agora dividido entre a experiência de estar e não estar, estou mais do que não estou. E a musa continua desaparecida.

Espero que voltes, tudo quanto tudo és, porque és tudo; a universalidade.