Num murmúrio passam duas sombras

Num murmúrio passam duas sombras.

Enfraquecidas do grande tremor que se deu rubor.

Não confundas o despejo pelo desejo que sinto, meu amor.

Duas almas por metal apegadas não me fazem falta nem entravas.

Só um ardor, e como um certo prior, me devaneio em dor.

O pecado que se ingere em oito faz-me sobrolho e refuta o ardor.

Num murmúrio vindo das sombras, olho ao lado e derreto aos bocados o que me cai dos olhos num passado rebocado.