Pradaria

Na pradaria sonolenta
Deita-se o trabalhador ensolarado.
Do meio da bulícia e cansaço
Prostra-se com agrado.

Adormece ali, à poeira, ao milho.

É a campina o seu único filho

E folheia-a morosamente.

Lê nela o líquor da felicidade.

A bílis do bucolismo.

À sombra de uma folha anciã,
De cachimbo na boca e camisa encharcada,
Acabando o garrafão de golada,
Deixa-se ficar, manhã após manhã.

Derrete-se e funde-se com a paisagem.
Nada mais é, que parte desta
E acordando desnorteado da sesta
Continua a colher a futura moagem.

A pradaria ondula ao sabor do vento
E nela encontram os seus sonhos
Esses soldados do tempo.
O agricultor que todos os dias a contempla
E que, sabendo-se vítima
Da sua própria rotina, se contenta.

Autoria: Ricardo Silva