“Sempre vivemos no Castelo”, o último romance Shirley Jackson, é das histórias de suspense mais magistralmente construídas que já li. Ao longo do livro, a autora cultiva uma sensação de receio que desabrocha continuamente na mente do leitor, até chegar a um final singularmente perturbador e estranhamente cativante, até para uma leitora que não costuma apreciar este género de literatura.
O livro inicia-se com a introdução de Mary Katherine Blackwood, também conhecida como Merricat. Merricat demonstra ser uma jovem peculiar, mas o mais alarmante na sua narrativa introdutória é o facto de mencionar que a maior parte da sua família havia morrido envenenada com uma dose fatal de arsénico misturado com o açúcar com que adoçavam o chá da tarde. A irmã mais velha de Merricat, Constance, é considerada culpada pelos homicídios, mas é mais tarde ilibada das acusações, retornando à casa da família. Ainda nesta fase, a jovem Blackwood dá-nos a entender que ela e os restantes familiares (o tio e a irmã) não são aceites pela comunidade, e tenta protegê-los da hostilidade demonstrada pelos habitantes da aldeia.
Ao seguirmos o dia a dia da família, são-nos revelados aos poucos, e por vezes de uma forma bastante subtil, factos que nos permitem montar o grande esquema desta história que relata a destruição da família Blackwood.
A história apresenta a família com um perfil de isolamento, mas tendo sempre presente uma base de alegria e contentamento, apesar de ter uma marca indelével de inquietação e desconcerto. Este equilíbrio frágil na dinâmica familiar perdurou até ao momento da trágica visita do primo Charles. Merricat torna-se na única a reconhecer o perigo latente para aqueles que ama, e está disposta a qualquer coisa para proteger a sua irmã desta ameaça.
Para concluir, este livro é seguramente uma lufada de ar fresco no percurso literário de qualquer leitor, por ser dotado de um enredo indubitavelmente original e maravilhosamente orquestrado, e de uma escrita perspicaz e calculada, mas simultaneamente agradável, fluida e expressiva. Este impressionante thriller psicológico alargou os meus horizontes a estilos mais invulgares de narrativa, pelos quais desenvolvi um enorme gosto através da leitura deste género, e, por isso, não pude deixar de o escolher para partilhar um curto resumo e opinião, na esperança de despertar o interesse de outros leitores.
Autoria: Joana Manaças

