Não sei o que sou,
Não sei o que faça,
De pessoa a débil carcaça
Como casulo apodrecido
Mas depois vejo o calor da lua
Nas noites de Verão,
Sinto o vento
A tocar-me na alma, em movimento
Acelerado
Andorinhas que voam,
em perfeita coordenação
Toco o mar com a ponta do dedo
E urge em mim o desejo de lhe tocar,
Com o corpo todo
Como uma canção de embalar
Que aquece e envolve
Vejo a primeira flor da primavera
E sinto já um corrupio de borboletas,
Na alma
Vejo os teus olhos
E volta a mim todo o Abril
Que já fui
Autoria: Ana Catarina Manaças

