Sentado numa mesa, a apreciar o clima ameno sobre os poros amplos do meu corpo, descubro de repente a origem da palavra “carnaval”, como estando numa etimologia de algo semelhante ao, diria, “tirar da carne”; quer isto dizer, ao revelar de uma verdadeira face.
A verdadeira cara, envolvida pela pele de um sanguíneo rosto, finalmente despida para as noites de um vão pecado. Agora, acredito que na arte, como na superfície da fisionomia, cicatrizes se repartem para nelas simbolizar, nessas falhas estruturas, os escriturados ínfimos dos antigos poetas, hinos passionais à desilusão nos entendidos.
Os dedos descarnados, com o osso da falange descoberto para o vento que lhes bate impune, partida a vestimenta de um cárneo teor para ser logo enterrado sob, o suor, e o sangue, dessas pálidas cabeças.
Cabeças, mirando o céu de um passado outono, como folhas decepadas, e de descoloração não menos, contemplando o espaço que existe entre as camadas de tecido em crosta, os olhares ensimesmados, de um vazio calado ao tempo.
Autoria: Tiago de Sousa

