Nada

Tum
Tum tum
Tum
Tum tum tum tunturumtuntum

Abre os olhos, a queda acabou

O céu escurece e a água remexe
Como ponteiros no relógio com cadência de tic-tac
A água é fria e a pele arrepia sobre um coração que insiste em bater sem saber pelo que temer

Respira

Porque espero e desespero?
Sou demente quando acho que o teu olhar também sente?
Penso, remexo, analiso e perco
A luz de farol
que vi brilhar
Como pode alguém depender de um resgate fogoso que não passa de um engate manhoso quando está à deriva no mar?

Respira

A pulsação torna-se parte da corrente
Fugaz mas insistente como que a testar até onde vou
Até, para, como: preposições que oscilam na minha cabeça
Lutando por posições numa tabela inexistente

Tum Tum
Tum
Tum
Tumtum

Respira

O meu corpo luta enquanto escuta a melodia que não quer calar
A pressão aumenta enquanto aguenta
a falta de mim que decidiste levar
Estrebucho enquanto solto um repuxo desta água, que me quer engolir
E sem saber por onde ir,
espero que me leve para onde me encontraste
Onde me posso habituar ao contraste que é uma vida sem ti

Respira
Nada
Pro nada?