“Pergunto-me se eles já me conheceram, ou se me odeiam apenas por eu existir…” (Devon, protagonista negro do livro)
Estando perante o black history month, este é um livro que demonstra a forma como racismo, infelizmente, está enraizado na nossa sociedade, ainda para mais entre a classe alta, onde parece – quase – errado haver alguém de etnia não branca a destacar-se.
Falando do conteúdo e mote misterioso da obra, a trama deixou-me vidrado do início ao fim e a magicar na minha cabeça quem seria o Ás de Espadas, personagem misteriosa que infernizava a vida de Devon e Chiamaka, contudo, nada me podia ter preparado para a revelação. Foi literalmente um choque total e nem é bom pensar que algo como aquilo possa alguma vez ser transposto para a realidade (não me alongo para não dar spoiler, mas é realmente chocante e revoltante!)
A par desta revelação enorme, fui sendo presenteado com plot twists muito bem pensados, personagens bem construídas e muitoooo suspeitas (muitas delas com 2 caras), não dando realmente para confiar nem no mais bonzinho de todos.
Continuando na toada das personagens, posso dizer que a dupla improvável Devon e Chiamaka me conquistaram completamente. Tão diferentes e com vidas tão díspares, cuja comparação entre ambos roçava a crítica social, mas também tão iguais num fator que nunca deveria ser segregador: a sua cor de pele. Assim sendo, adorei a representatividade que a autora colocou na sua história, a forma crua e real como abordou a temática do racismo, sem paninhos quentes, como poderão ver pela quote inicial, mostrando-me que a discriminação racial existe ainda hoje perante os olhos de todos, mas muitas vezes não se faz nada para o mudar…
Mas bem, se gostas de histórias cheias de tensão, escrita muito fluída, mas ao mesmo tempo que dá que pensar e refletir sobre diversos assuntos, personagens que vão ao inferno e voltam, mas continuam de pé contra tudo e contra todos e ainda um final que é uma mensagem de esperança e de luta, este livro é mesmo para ti!!

