Vejo a uns metros de distância um cigarro
De enorme tamanho. O fumo encardido,
Sufocando-me o rosto entristecido
Por razões além da mente, num escarro
Sóbrio que devassa até aos limites
Humanos da consciência. São quase umas
Treze horas, e pela tarde nenhumas
São as loucuras que se mostram tristes—
O mundo numa falsa convulsão
Dos lábios, finge eterno o seu sorriso.
Eu, todavia, hoje, esqueço-me disso.
Vestindo a carne do meu coração
Como máscara, mostro o sentimento;
E rio— sendo um louco, apenas por dentro.
Autoria: Tiago de Sousa

