No raro momento em que sou eu por inteira,
Pergunto-me o que sou quando não o sou.
Raramente sou eu,
Sou sempre um conjunto de medos.
Medos que encontram em mim um abrigo,
Uma casa.
E se uns hesitam em passar da porta
Outros fazem-se de eternos convidados.
E em mim
Eles sabem que podem sempre viver.
Porque um dia
Quando for eu por inteira,
Deixo de o ser.
Porque não tenho medo.

