Primavera

Hoje nasceram flores da minha dor

Os meus pulsos, obras de arte,

Meu sangue, meu icor

alimenta o que de mim brotar.

Não irei murchar, pedir desculpa por existir

Substituir o jardim do meu coração

Ou escrever cartas de amor

A um Deus morto.

Esta realidade é minha

E irei vaguear este cemitério

Coroada de flores e espinhos

Forjando a minha Primavera.

Eu sou prova que no Submundo

O tormento pode ser melodia

E o Inferno, terreno fértil

Não fosse eu filha de Perséfone.