Os momentos de alegria congelam-me
Por dentro; sofro-os, assim como sofre
O paciente de cancro: quando morre,
É porque o corpo se mata a si. Faz-me
Confusão esse estranho proceder
De cada célula, no consentido
Exercer de um desonesto suicídio.
Perturba-me. Incapaz de perceber,
Como deveria eu ou não sentir,
Habito o momento como um estrangeiro,
Não conhecendo a língua de mim mesmo,
Deixando que a alma me fale a si.
Porém, a voz do que me sai, é um grito
Do mais íntimo tormento; e é possível,
Que apenas morrer traga um fim credível,
P’ra todo este mal, que ao sentir me sinto.

