Seja Amor

Os momentos são eternos

Os momentos são puramente eternos

Na canção do amor.

Neste meu triste fado singelo

Que meu âmago expressa com pudor

Seja amor, seja amor

O que em tantos corações corre

Seja amor

Aquilo por que minh’alma morre.

E o sangue que no meu corpo flui,

Não corre, salta.

Como meu amor salta montanhas por ti.

À noitinha, quando os corvos se juntam a mim

E bebem de golada a vida 

Num banco de jardim

O que poderá sobrar?

Bicam-me os olhos e os dedos

Bicam-me a testa e os lábios

Que já não contam segredos.

Ficam os momentos

Pois esses sim são eternos.

Fica a canção do amor,

Um entardecer paterno

Um falecer materno.

Ficas tu, a esperança do teu abraço

A leveza da tua mão.

A ternura do teu olhar,

O calor do coração 

Que gélido se afastou.

Fica o momento do amanhã

Amuralhado de barbacã.

Levem-me corvos

Meu corpo não me pertence

Minh’alma de nada importa.

Levem-me para longe

Para onde vive o meu amor.