“Longe da vista, longe do coração”
E eu teimo “estúpida expressão!”
sem nunca te ver, instantânea devoção!
Numa espécie de prece sem oração,
Vejo-nos, duas almas sem definição
Dois Sorrisos afogados na depressão.
Num amanhã protegido por bolhas de sabão
Nas tuas palavras, construo dia-a-dia, minha ilusão
Quiçá, minha ressurreição.
Tornas-te Regra à minha excepção
Será que aceito esta magnífica aberração?
De olhos vendados, decido dar-te a mão
Pronta para te encontrar no meio da multidão
Aposto que quebro nossa maldição.
Mas esta é a tua religião…
Qualquer acto da mais pequena rebelião
E Transformas-te em verbo sem conjugação.
Tatuas-me uma cruz de desilusão.
No entanto, em lágrimas, num turbilhão,
Mesmo perante tal humilhação,
Rezo com ardor a cada constelação,
Que um dia, sejas capaz de tamanha insubordinação.
Cá te esperarei, com muita ternura e uma confissão
Autoria: Ana Margarida Fonseca

