Sob o Céu, perto do Mar

Sob céus celestiais, divinos,

O declínio consome o Homem

E fá-lo pecador devasso.

Peca segundo as crenças

Dos que se têm por morais,

Disseminando desavenças

No sabor das vagas do mar.

(O mar…)

O mar é mero reflexo do céu.

Tal como a Vida o é para a Arte,

É imitação débil do que jamais será.

Não sendo fiéis ao seu mestre,

As ondas que assolam a costa

São decifradas pela Humanidade

E traduzidas numa suprema verdade.

Se essa é autêntica ou não,

Nunca o saberá na sua pequenez,

Mesmo subindo aos ombros de gigantes

Ou, quiçá, escalando a Torre de Babel.

De facto, esse vislumbre de verdade

Não cabe ao ser humano:

Deus, existindo, fê-lo finito

Para que, no cúmulo da finitude,

Mirasse somente trevas

E as concebesse como grande virtude.