Poema

Sempre o dever e a perfeição,

Sempre a verdade e a excelência,

Como é lei da nossa natureza,

Mas lá vêm os pensamentos em turbilhão

Espalhar uma sombra de incerteza 

Nos Jardins da razão

Chegou a hora de ser normal, comum,

Mil vezes banal e aborrecido,

Não mencionado nos livros,

Por ser de todos desconhecido

Deixem-me desaparecer na sombra do tempo

Como quem deriva no azul do oceano,

Na profundidade do pensamento

Deixem-me ser esquecido

Como quem adormece 

Na brancura suave de uma página por escrever,

De um livro nunca lido

“Tens tanto por fazer”: diz a gente,

Alguém o fará, e mais perfeitamente!

Entretanto, deixem-me a glória

de não fazer, não ser, não, não…

A verdadeira arte está no que não existe,

Quando o silêncio se torna na mais bela melodia,

Ainda que triste.