Sempre o dever e a perfeição,
Sempre a verdade e a excelência,
Como é lei da nossa natureza,
Mas lá vêm os pensamentos em turbilhão
Espalhar uma sombra de incerteza
Nos Jardins da razão
Chegou a hora de ser normal, comum,
Mil vezes banal e aborrecido,
Não mencionado nos livros,
Por ser de todos desconhecido
Deixem-me desaparecer na sombra do tempo
Como quem deriva no azul do oceano,
Na profundidade do pensamento
Deixem-me ser esquecido
Como quem adormece
Na brancura suave de uma página por escrever,
De um livro nunca lido
“Tens tanto por fazer”: diz a gente,
Alguém o fará, e mais perfeitamente!
Entretanto, deixem-me a glória
de não fazer, não ser, não, não…
A verdadeira arte está no que não existe,
Quando o silêncio se torna na mais bela melodia,
Ainda que triste.

