O dia sensitivo de hoje

Hoje. Hoje a sensibilidade ataca-me; consigo sentir cada palavra, cada som, cada visão. Não existem imagens na minha mente; não vivo com ela, a mente, neste momento.

Não estou, no bom sentido de não estar; ainda que não o pareça. (Diria que deteto estranheza.)

Nada me satisfaria mais do que o teu ombro, abraçar-te e sentir o teu corpo contra o meu, e chorar naquele espaço que cobre os ombros, o pescoço e a cabeça, e que é abraçado pelo cabelo, quando há, claro está. Mas com cabelo ou sem ele, a tal espaço, dou-lhe o nome de ninho, e é lá que quero estar.

Vem e abraça-me, e não digas nada, abraça-me só, como se estivesses carregada da certeza de me querer abraçar. Não digas nada. Deixa-me chorar no ninho e abraça-me. Não digas nada, abraça-me só. E deixa-me, depois de me abraçares, abraçar-te a ti.

Já te senti e vi o brilho dos teus olhos, mas os olhos dizem tanta coisa…

Ou não te tiver sentido, nem visto o brilho dos teus olhos. Seja o que quer que seja, ou tiver que ser, ou não seja, abraça-me.

Talvez não vá sequer, algum dia, abraçar-te, mas se te abraçar, vem tu abraçar-me. E não digas nada.