Só quer ser gente,
E gente será,
Aquele cão da rua que o vento levará.
Leva consigo um osso encontrado
E uns tantos outros
que lhe esticam a pele débil.
Com pelo branco
a querer pintar-lhe o focinho,
Deambula pela noite e pelas ruas.
Ao nascer o Sol,
sabe que lar nunca terá.
E que um dia, noutra vida,
gente será.

