O pior da doença

Na doença, a pior parte é acabar por morrer, mas apenas para quem fica. Quem fica esteve lá durante todo o processo, viveu cada diagnóstico, cada prognóstico, cada tratamento com a dor do seu ente querido e com a sua… Não saber o que esperar do amanhã é péssimo; se vamos estar curados, se vamos viver assim o resto dos nossos dias e se esses dias já se contam, ou não, pelos dedos. A incógnita é o que destrói o psicológico e, sem esse, ninguém, por muita medicina que haja, se cura!

A morte é o mal da doença. Quem fica chora por muitos dias, que não se contam pelos dedos; quem vai, segue na paz, por mais tomentosas que tenham sido as vésperas da sua partida. Quem fica, ama eternamente e a pior parte de amar não é não sermos amados de volta, mas sim sermos amados e amarmos, mas não conseguirmos dizê-lo nem ouvi-lo. A comunicação está na base das relações e, quando acontece a morte, deixa de existir.

Afinal, talvez não seja a morte a pior parte, talvez seja a ausência, porque quando morremos sem morrer é pior ainda; quando as pessoas desaparecem dentro de si mesmas… não conseguem fazer nada por nós, mas também não conseguem continuar lá e voltar a olhar-nos como antes, antes de sermos a nossa doença mental, antes de sermos todas as crises e dias maus, antes de precisarmos de 5 minutos várias vezes, antes de cansarmos a amizade dos outros…