Sou vulnerável a ti.
E agora?
Quero ser vulnerável a ti.
E agora?
Deixa-me ser vulnerável a ti.
Olhei para baixo e o precipício era fundo; tive medo. Mas à beira daquele penhasco, sentia-me feliz, sentia-me feliz e vulnerável. Pela companhia, sentia-me feliz e vulnerável. À beira dele apenas, conseguia sentir-me feliz e vulnerável. Como um bom dançarino, que mexe o seu corpo, e, ao mexer, flutua pelo espaço, colorindo e colorindo-se, pintando com amor.
Sentia-me feliz e vulnerável. Pela companhia, pelo lugar, sentia-me feliz e vulnerável.
Mas ao olhar para o buraco fundo daquele precipício, traíram-me e empurraram-me. Caí, e a minha alma desfez-se em pequenos pedaços de solidão e amargura, de raiva e vazio.
Ao sair, olhei para ti.
E agora, que sou vulnerável a ti?
Abraça-me e acolhe-me nos teu braços,
Deixa-me sentir o teu toque,
Deixa-me ser vulnerável a ti.
Toca-me se tiveres de tocar,
E se tiveres,
Quero ser vulnerável a ti.
Autoria: Bernardo Rodrigues