A vida é àspera e lamacenta

A vida é àspera e lamacenta. Cinzenta e obscura. Quando mais precisamos dum abraço, mais os espigos nos picam. É duro, complicado… Porque é que tem de ser complicado? Porque existe tanto ódio e rancor entre as pessoas? Porque é que se reabrem feridas que eu já não sabia que doíam?
Amar é tão simples, mas muitos desconhecem tal arte. Para quê viver uma vida buscando dinheiro, riqueza e ostentação se não caminhamos ao lado dos outros? Para quê, se não ajudamos quem caminha a nosso lado? Se não abrimos horizontes àqueles que, por infortúnios da vida, se fecharam numa concha no fundo dum oceano escuro e distante. No final de contas somos todos seres humanos, dignos de respeito, paz e afeto.

Fracassei, mas tentei. Tentei ser essa pessoa. Amei, cuidei e ensinei com todo o meu coração. Também errei, como todos nós. Mas nunca deixei de amar, perdoar e glorificar as conquistas dos que partilham esta jornada comigo. Nunca deixei de olhar de igual forma para todos, até mesmo para os que, por alguma razão, já me magoaram intencionalmente. Sempre tentei compreendê-los, perdoei-os e desejei-lhes o melhor, sempre. Sou muito intensa, vivo a vida ao rubro e adoro poder experienciar o que é estar vivo, andando de braço dado com todos aqueles que vibram comigo. Tentei ensinar tudo isto, mas fracassei. Tentei que não me afetasse pois sei que entreguei pulmões e coração a cada palavra que deixei a pairar no ar. Ali, naquela conversa fria e desconfortável. Mesmo com medo, tive coragem. E ainda assim, mais uma vez os espigos me picaram e eu gritei de desespero sem conseguir falar.

Mas de que valeu, se fracassei? Se estavas surdo para as palavras cheias de amor que eu tinha para dar… Será que algum dia me vais ouvir?

Autoria: Alexandra Agostinho