ET IN AMOR EGO

No colo de zéfiro era levado
O Amor cego e não seguro.

Por vales se deixou levar, voando por campos
Que apenas de longe tivera visto.
E, porque naquele dia as flores em botão se abriram para ele,
Poisou seus pés em terra pela primeira vez.
E a terra o recebeu com flores de pêssego e dióspiro,
Que cedo se fizeram fruto.

Ele que nunca os cobiçara,
Acostumou-se aos frutos, ao odor dos pomares,
Às cotovias que para ele cantavam.
Em Arcadia permaneceu a habitar.

E quando deu por si,
Já não conseguia voar,
A fruta perdera o doce,
Das flores abertas, as pétalas desmaiavam em desgosto.
Antes de fechar os olhos, a última coisa que vira
Fora o cadáver da cotovia.

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In gremium zephiry ferebatur
Amor caecus et non securus.

Per valles se traduxit, volans per agros
quos tantum ex longinquo viderat.
Et, quia illo die flores in gemma ei aperuerunt,
Pedes suos in terra primum apposuit.
Et terra eum accepit cum floribus persica et diospyri,
Quae cito in fructum factae sunt.

Ipse, qui nunquam eos concupiverat,
Adsuefactus est fructibus, odori pomorum,
Alaudam qui cantabant ei.
In Arcadia habitare mansit.

Et cum se animadvertisset,
Iam volare non poterat,
Fructus dulcedinem amiserat;
Ex floribus apertis, petala in maerorem languebant.
Antequam oculos clausisset, ultima res quam vidit
Cadaver alauda fuit.

Autoria: Marco Guedes