Maria,
uma de três,
uma num milhão.
Maria senhora de si,
muito dona do seu nariz,
em perfume de mulher envolta,
sem vergonha da revolta.
Maria leva no peito
o ar de quem só voou,
vestiu tão a preceito
as camisas que desabotoou.
Cantou a secura dos gestos,
regou a candura dos sexos;
o seu lugar foi na cozinha
só quando fez sopa de letras.
De voz e caneta armada,
pelas palavras foi julgada,
mas escreveu sem desculpas,
com impropérios e volúpias,
Maria senhora das suas curvas,
muito dona das suas tusas.
Nunca vítima de ser mulher,
nunca vítima de ser calada,
nunca vítima de ser esquecida.
nunca vítima de ser vítima.
Obrigada, Maria,
para sempre.
Autoria: Diana Oliveira