Calor

Bem lá no fundo, onde as estrelas dormem, nasce um raio de sol tímido e medroso, que se curva em cada esquina, inseparável destas, mas intransponível. Há algo acutilante na sua projeção, que ecoa estrondosamente no vazio ondulante, permeada pelos grãos de vastidão que à solidão pertencem. Este raio de sol perfilado agiganta-se para além das arestas que o contêm. Corajosamente, parte em busca de espaço, de tato, aproxima-se da superfície na qual o ar é pó das estrelas e a dor é cintilante. Aqui, o céu não tem limites e as lágrimas são diamantes. O raio de luz flutua, enfatuado, embalado na quietude deste lugar. Não há nada que o detenha – a terra é incontrolável nessa mesma medida. Portanto, lançado e espalhado, o raio descansa, abraçando esta terra infinita.

Autoria: Maria Vicente Teixeira