Num ávido trago, a Cultura morreu.
E com ela foi a esperança
De que, na noite de breu,
Viesse a grande mudança.
Queríeis vós progressos,
Ingratos e desmerecidos sucessos?
Eis a insólita e derradeira verdade:
Da Arte nasceu a vossa imensidão,
Que condenais, inscientes, à escuridão.
Tendes paixão pelas máquinas e tecnologias
À custa dos livros e das pinturas
Que desprezais na medíocre ideologia
De que se evolui através de radicais ruturas.
Amai as músicas e as esculturas
Como amais os motores e os tambores,
Pois, sem a presença das vitais estruturas,
Viveremos em constantes dissabores.
Contudo, já é tarde demais...
Num ávido trago, a Cultura morreu.
Eu choro pelo Homem e por ela.
Lamento o fim, que é nosso e seu.
Lamento, distante, a sua ternura singela.
Autoria: Rodrigo D. dos Santos Gomes