Fui à praia mais perto
ver o que a vida tem de certo:
mar e maré,
uma esplanada e um café.
sem açúcar, por favor:
a amargura que venha
da cabeça para a boca,
e a lágrima, dos olhos para o oceano.
Que criatura estúpida
que só sai de um abismo
quando se lhe apresenta outro,
um maior que o seu,
um mais urgente que o que lhe precedeu.
Que criatura estúpida
que alivia ansiedades internas
com mordomias metafóricas externas:
aquela que vai à procura da maresia
para respirar ar diferente
daquele que a sufoca,
aquela que se banha em água salgada
porque o frio que lhe gela os ossos
não lhe permite pensar em mais nada.
Que criatura estúpida,
aquela que nasce, vive e morre,
mas teima em pensar e antecipar pelo meio;
fosse uma gaivota,
e vivia só de passeio.
Autoria: Filipa Dias