O medo vai medrando,
como couve no couval.
Como pinho despontando,
no árido solo, encontrando,
forma de pele picar.
O medo vai medrando,
e rego-o com os meus olhos.
Com os suores do corpo meu
e das lágrimas aos molhos.
Vai medrando, vai crescendo.
Sedento de salubridade.
Medo, medo de quê?
Medo, quiçá, da idade!
Medo da tosse que não para.
E do parar da tosse fresca.
Do choro que foi anúncio magno
do nascimento, da repesca.
Medo de não ser repescado,
e, quiçá, náufrago salvar
a história da pobre vida, a nado.
Mas de a não saber contar.
Autoria: Francisco Ganço

