Para muitos, sorte seria ganhar o totoloto,
Enquanto que, para mim, seria ter um poço,
Onde pudesse guardar as lágrimas que absorvo
Com todo o meu interno esforço.
Sorte? Seria poder transformar um deserto numa arrebatadora cheia.
Sorte? Seria poder voar desta sufocante e assustadora teia.
Sorte? Seria derreter-me antes que chegue a terrível hora da ceia.
Pudesse, ao menos, o Fado roubar e trazer-me a Sorte dessa gente alheia.
Natureza, ensina-me a libertar-me como tu fazes…
Se a alma não permitir, rasga-me antes que as fontes se tornem incapazes.
Ou então, pudesse eu encontrar essas gentes perspicazes
Que vertem como se fossem nuvens eficazes.
A libertação dos monstros é uma bênção.
Libertando-os através da água permite a nossa redenção.
Assim, atingimos o universo através da nossa própria ascensão.
Nesse dia felizardo, tudo será mais fácil de manutenção…
(Espero…)
Autoria: Justa Corcunda