A Gloriosa Arte de Nada Saber

Na vetusta FMUL, trono mofento,
Onde o tempo para e a mente se entorta,
O mestre imponente, num tom sonolento,
Vomita doutrina, repete, não corta.

"Decora, canalha! Nem penses, nem olhes!
Aqui o raciocínio é vil!
Da ciência velha, os dogmas são nobres,
Memória é ouro, o resto é fuzil!"

E o pobre aluno, curvado e sem brilho,
Cansado, perdido, sem norte, sem cor,
Morde o caderno, risca o rabisco,
Decora mil tomos, mas sabe o menor.

No trono dourado, o velho catedrático,
Soberbo, empolado e vazio,
Ignora o sintático,
E ensina merda que para nada serviu.

“A IA é treta! A máquina erra!
A medicina é bisturi e ardor!
Que venham mil dados, que venha guerra,
Que o meu cadáver é mais doutor!"

Que importa a clínica? Que importa o doente?
O que vale é cuspir, feito um demente!
E assim se formam, sem alma, sem brio,
Médicos ocos num SNS vazio.

Que venha o futuro, que rache esta bosta!
Que caia este ensino, que caia sem costas!


Autoria: Henrique Lobo Vaz