Peguei no telemóvel, como sempre, à espera de uma mensagem tua. Era um reflexo automático, uma esperança silenciosa que insistia em permanecer. Entrei aqui e os meus olhos procuraram-te sem que eu precisasse de lhes dar ordem. Queria ver-te à minha espera, como antes, como se nada tivesse mudado.
Ouvi uma piada que me fez rir, daquelas que sabia que também te fariam rir. Instintivamente, virei-me para ti, à espera de encontrar o teu olhar cúmplice, de partilhar aquele momento, como fazíamos tantas vezes. Mas tu não estavas a olhar para mim. Já não estavas lá.
Agora, as tuas mensagens vão para outra pessoa. O teu olhar procura outro alguém. Quando te ris, já não é comigo que procuras partilhar essa alegria. Aos poucos, fui-me tornando invisível. Passei de alguém importante a alguém que já não importa. E isso doeu. Ainda dói.
Mas um dia, sei que não vai doer mais. Um dia, pegarei no telemóvel sem esperar nada de ti. Estarei neste sítio sem te procurar. Ouvirei piadas e rirei sem pensar se também te iriam fazer rir. Um dia, seguir em frente será natural, e tu farás parte apenas do meu passado. Um passado que me magoou, mas que também me fez muito feliz.
Autoria: Sara