2 Macabeus 9

Como ator, sei a dor que o meu personagem causou e o peso que as minhas ações, muitas vezes contrárias às minhas intenções, tiveram. 
Depois do intervalo das gravações, não tenho sido o mesmo, desconectado da minha essência e de quem sou. Nos últimos meses, tenho-me sentido morto por dentro, sem alegria, sem esperança e, dado o meu papel, não acho que tenha mais condições para atuar.
Não espero que os espetadores compreendam, nem me vou tentar justificar (não mereço), apenas peço perdão por não ter conseguido atuar da maneira que mereciam e que, no fundo, queria.
O meu arrependimento é profundo e o silêncio é a forma que o meu personagem, também sem voz, tem para lidar com a situação.
Não tenho o direito de pedir nada, mas gostava que ouvissem o meu desejo por paz! Não falo como realizador, apenas como ator, mas o ódio, rancor e mágoa que todos os espetadores guardam não beneficia ninguém e, por mais que o meu personagem tenha falhado, os atores merecem sempre a chance de recomeçar como outro personagem com o qual se identificam mais, de se reinventarem noutro lugar, com olhares novos, corações mais abertos e as promessas de ter levado as lições comigo e de ser melhor.
Fico extremamente grato e com um sentimento de dívida.
Gostava que o elenco se perdoasse, que todos se sentissem seguros e em paz, e que pudéssemos seguir em frente para encontrar vida, amor e esperança lá fora, em outras peças e teatros.

Autoria: Joana Brito