Da minha palma voam sonhos.
Deixo-os ir sem por eles dar.
Não os agarro pela pressa de acordar.
Sussurram-me baixinho mundos adiantes
E com cuidadinho minam-me o pensamento.
"O que não fiz?"
"Porque não fiz?"
Com medo não saltei.
Porventura, por saber-me preso ao passado.
São notas ténues que oiço,
Uma melodia diária
Mortífera e cruel.
"Quando vais?"
Eu não sei.
"Mas vais?"
Também não sei...
Onírica esperança de sentir mais do que a mim mesmo
Não perder o momento, não abraçar o desalento.
Tudo é mais do que isto,
Só minh'alma não o é.
Talvez um dia,
Quando a melancolia sonhar mais alto
Do meu peito fogo azul emanará.
Por agora sonho mais do que a minha palma
Autoria: Ricardo Silva