Esperança

Nestes frios dias de nevoeiro, sem sequer um raio de luz do sol, a flor não floresce.
Este pequeno ser mirra, as suas cores outrora vibrantes tornam-se pálidas e as suas pétalas revestem-se de melancolia e solidão engelhadas.
É como se, sem a companhia calorosa do brilhante astro, perdesse a alegria de viver, como se dar cor aos caminhos e pólen às abelhas já não fosse uma missão suficientemente nobre e bela para justificar a sua existência.
Com as raízes teimosamente fixas ao terreno onde o Destino julgou por bem que ela brotasse, é sacudida pelas ventanias e empurrada pelos animais que correm, vorazes, atrás das suas presas.
Porém, apesar do seu desânimo e desamparo, a frágil flor resiste. Não deixa que nada arranque aquelas raízes da terra que sempre a nutriu e sustentou.
Mas porquê, poderemos pensar nós, porque não desiste aquela triste flor, abandonada à sua sorte pelo seu mais terno amigo, aquele que outrora lhe alimentava o espírito e fazia vibrar e resplandecer os tons vivos das suas pétalas, alegrando-a e fazendo-a ser uma fonte de felicidade e êxtase para o mundo?
A resposta é muito simples: a flor persiste apenas porque espera que, um dia, o sol regresse e volte a trazer um propósito à sua vida, bem como todo o afeto que outrora depositara sobre ela com a suave carícia de cada um dos seus raios.
É por amor que ela espera.

Autoria: Catarina Pais Monteiro