Lá estás tu

Em tempos de solidão 
De teto caído de tanto olhado
De corpo pesado de respirar
Estás tu, sem falta
Estás tu, sem volta

Nas horas vagarosas da manhã
Nas do meio dia, festivas
Nas apressadas da tarde
Nas da noite, saudosas
Nas extasiantes da madrugada
Estás tu, sem falta
Estás tu, mais nada!

O perfume da tua simples existência
Enovela, leva-me onde estou mais completa
O negrume da tua aura, mato virgem
Encandeia, move-me na tua direção
E contra ti quando te encontra:
Lá estás tu, sem falta
Lá estás tu, quem me mata.
Quem me falta

Nas palavras que escrevo
Tema dorido de tão batido
Roupa impecável de tanto lavada
Corpo estendido, desumanizado
De tanto desejo ter acumulado.
Lições esquecidas de te estudar
Alma carregada, talvez dispare
De tanto se antecipar.

Rimas comigo
Viro-me (ou gira-me a vida) e
Lá estás tu.
Sorrio.

Autoria: cardo oriano